O nível do objetivo. É aqui que você diz pra Meta o que quer, e ela vai atrás. Escolheu certo, ela trabalha pra você. Escolheu errado, queima seu dinheiro.
brunojusttino · Tráfego Pago
Relembrando a estrutura
Toda conta de anúncios tem três andares, e cada um decide uma coisa. A campanha é o andar de cima, o nível do objetivo:
Guarda essa imagem na cabeça. Tem gente que mistura tudo e depois não entende por que a campanha não anda. Cada andar tem a sua função, e hoje a gente domina o de cima.
A decisão mais importante
Quando você cria uma campanha, a primeira coisa que a Meta pergunta é: o que você quer? Essa resposta é o objetivo. E ela não é uma formalidade: o objetivo diz pro algoritmo que tipo de pessoa caçar e que ação otimizar.
Pediu cliques? A Meta vai atrás de quem clica. Pediu vendas? Ela vai atrás de quem compra. São pessoas diferentes, mesmo dentro do mesmo público.
Lembra da armadilha do módulo passado, "designer que engaja com designer chama designer"? O objetivo errado é a mesma coisa, mas pior, porque é você mesmo dizendo pra Meta buscar a pessoa errada. Escolhe Engajamento esperando venda e ela te traz gente que curte e comenta, não que compra. É o erro mais caro e mais comum do tráfego.
Regra de ouro que a própria Meta reforça: nunca use "Tráfego" esperando vendas. Você vai pagar por cliques de gente sem nenhuma intenção de comprar, e ainda vai achar que "tráfego não funciona". Funciona, só que pro que ele foi feito.
Função por função
Quando você cria uma campanha, essa é a primeira tela: escolher o tipo de compra (Leilão) e um dos 6 objetivos. Vou explicar cada um, o que ele otimiza e quando usar. Repara que eles seguem o funil, do topo (frio) ao fundo (quente):

A tela de criação: tipo de compra no topo e os 6 objetivos pra você escolher. Passe o mouse em cada um no Gerenciador pra ver a descrição da Meta.
Mostra seu anúncio pro máximo de gente possível, otimizando por alcance e memória de marca. Não busca clique nem venda, só fazer você ser visto e lembrado.
Quando usar: marca grande querendo ser lembrada, evento, presença. Pra quem vende serviço e começou agora, raramente é o melhor.
Leva gente pra um destino (site, perfil, WhatsApp), otimizando por CLIQUE. A Meta acha quem clica, e clique não é cliente.
Quando usar: levar pra um conteúdo, um blog, iniciar conversa no WhatsApp. Nunca esperando venda direta.
Busca curtidas, comentários, compartilhamentos, mensagens e visualizações de vídeo. Otimiza por quem INTERAGE.
Quando usar: aquecer público, ganhar prova social, gerar mensagens. Lembra: atrai quem engaja, que nem sempre é quem compra.
Cadastros (Leads)fundoCaptura o contato da pessoa: por um formulário nativo (instantâneo, dentro da Meta) ou no seu site. Otimiza por quem vira LEAD.
Quando usar: o queridinho de quem vende serviço. A maioria de vocês vai querer esse. Designer, advogado, dentista, consultor: lead é o seu jogo.
Otimiza por instalações e ações dentro de um aplicativo.
Quando usar: só se você tem um app pra promover. Se não tem, pode pular tranquilo.
Otimiza por CONVERSÃO: compra no site, venda no catálogo ou conversa que vende. A Meta caça quem tem cara de comprador de verdade.
Quando usar: e-commerce, produto digital, e serviço com checkout ou conversa de venda trackeada. Precisa de trackeamento bom (lembra do módulo 3?), senão a Meta fica cega.
Fonte oficial dos objetivos: Central de Ajuda da Meta.
A escolha na prática
Pra quem vende serviço (a maioria de vocês), a vida se resume a dois objetivos:
E cadê o objetivo de "WhatsApp"? Não existe, e isso confunde meio mundo. O WhatsApp não é um objetivo, é um destino (a Meta chama de "local de conversão: aplicativos de mensagens"). Você escolhe ele lá no conjunto de anúncios (próximo módulo), não aqui. Na campanha você escolhe o objetivo (pra cair no WhatsApp, geralmente Engajamento, Vendas ou Leads) e no conjunto aponta o destino pro WhatsApp. E pra maioria de vocês que vende serviço, é esse o caminho: o anúncio com o botão "Enviar mensagem" que cai direto na sua conversa.
Repara como tudo se conecta: o objetivo de Vendas só rende se o seu trackeamento (módulo 3) estiver redondo, e ele vai buscar gente parecida com os seus públicos (módulo 4). Tráfego não é caixinha solta, é uma engrenagem.
O erro clássico, que eu vejo todo dia: a pessoa quer venda, mas escolhe Tráfego ou Engajamento porque "é mais barato" ou "dá mais movimento". Dá movimento mesmo, de gente que nunca vai comprar. Sai barato e custa caro. Escolhe o objetivo pelo resultado que você quer no fim, não pelo número bonito no meio.
O que ninguém te explica
Aqui vai uma sacada que muda como você escolhe: nem todo objetivo custa a mesma coisa. Você não paga "por objetivo" direto, paga por aparecer (o CPM, custo por mil impressões). Mas o custo por resultado muda muito, e tem uma escada clara: quanto mais perto do dinheiro, mais caro.
Por que isso acontece (o leilão): a Meta estima a chance de você conseguir aquela ação e cobra com base nisso. Uma compra é uma ação rara e disputada (todo mundo quer quem tem cara de comprador), então sai mais cara que um clique ou uma impressão. Por isso campanha de conversão tem CPM mais alto que campanha de alcance ou tráfego. É a Meta oficial: o leilão é dinâmico, ela não tem tabela fixa.
Olha a escada, do objetivo mais barato ao mais caro, com faixas reais do Brasil:
Você paga por mil impressões (CPM). No Brasil, em torno de R$ 8 a R$ 35. Você só paga pra aparecer, não por ação nenhuma.
Você paga por clique (CPC). Em torno de R$ 0,80 a R$ 2,50. Barato, mas lembra: clique não é cliente.
Custo por engajamento costuma ser baixo. Curtida, comentário e visualização saem em conta, porque são ações fáceis.
Você paga por lead (CPL). Em torno de R$ 3 a R$ 15. Sobe, porque agora é um contato real, não só um clique.
Você paga por conversão (CPA). Em torno de R$ 20 a R$ 40. O mais caro de todos, porque a compra é a ação mais rara e mais valiosa.
É por isso que eu te puxo pro high ticket. Um CPA de R$ 40 mata quem vende um logo a R$ 97, mas é uma pechincha pra quem fecha um projeto de R$ 3.000. CPM ou CPA alto não é problema se o seu retorno (ROAS) fecha. O que importa nunca é o custo isolado, é quanto custa o resultado contra quanto ele vale pra você.
Leia esses números como ordem de grandeza, não preço de tabela. Eles variam MUITO por nicho (advogado e dentista pagam mais caro o clique), por época (Black Friday e fim de ano disparam o CPM) e pela qualidade do seu criativo. São médias de relatórios de benchmark com dados reais, não um preço que a Meta cobra fixo.
Fontes dos benchmarks: Trafius (Brasil, R$) e WordStream (global). O mecanismo do leilão é documentado pela própria Meta.
A melhor notícia pra você
Assusta no começo e depois vira o maior alívio: no leilão da Meta, nem sempre ganha quem tem mais dinheiro. Ganha quem tem o maior valor total, e ele é feito de três ingredientes, não só do seu lance:
O anúncio com o maior valor total vence e aparece. Repara que o lance é só um terço da conta. Os outros dois você melhora com público e criativo, não com dinheiro:
Quanto você topa pagar por aquele resultado. Importa, claro, mas sozinho não ganha o leilão.
A previsão da Meta de quão provável é a pessoa fazer o que você quer (clicar, virar lead, comprar). Público certo e oferta certa sobem isso.
Medida pelo que as pessoas fazem com o seu anúncio: param, curtem e clicam (sobe) ou ignoram, escondem e denunciam (desce). É aqui que o CTR e o criativo pesam forte.
Imagina dois concorrentes disputando exatamente o mesmo espaço:
CTR baixo, a galera rola direto ou esconde. Taxa de ação e qualidade lá embaixo.
Valor total: baixo, mesmo pagando caro.
CTR alto, a galera para, curte e clica. Taxa de ação e qualidade lá em cima.
Valor total: igual ou maior, pagando metade.
Os dois empatam (e muitas vezes o bom até ganha) com o anúncio bom pagando metade. A Meta faz isso de propósito: ela quer manter o usuário feliz, então premia quem faz anúncio que as pessoas gostam. Anúncio bom é desconto no leilão.
É por isso que jogar dinheiro não resolve. Um anúncio ruim com o dobro da verba continua caro, porque o problema não é o lance, é a qualidade. Antes de aumentar o orçamento, melhora o criativo e a oferta. Esse é o segredo de quem paga barato, e a gente vai fundo nisso no módulo de anúncios e criativos.
Detalhe que pouca gente sabe: você ainda paga só o mínimo necessário pra superar o segundo colocado, não o seu lance cheio. O leilão te protege de pagar mais do que precisa.
Fonte oficial: Central de Ajuda da Meta, sobre os leilões de anúncios.
Mão na massa
Objetivo escolhido, a Meta te joga na tela de configuração da campanha. Parece muita coisa, mas é tranquilo. Olha o mapa do que aparece:

A tela da campanha: Nome, Detalhes, Orçamento e Categorias especiais no menu lateral. À direita, a pontuação e o Advantage+.
Vamos função por função, o que é e quando mexer:
O nome que identifica a campanha na sua conta. O botão "Criar modelo" salva essa estrutura pra você reaproveitar depois.
Quando mexer: sempre. Use nomenclatura, tipo vendas-logo-maio. Conta organizada é conta que escala.
Ajusta a campanha pra promover uma transmissão ao vivo (live).
Quando mexer: só se você vai anunciar uma live. Senão, deixa desativado.
Como você compra o espaço. Leilão é o padrão: você concorre e paga pelo resultado, com toda a flexibilidade. (O outro tipo, Reserva, é pra grandes marcas que querem alcance previsível e pagam mais caro por isso.)
Quando mexer: deixa em Leilão. Vale pra 99% de vocês.
É o que a gente destrinchou lá em cima. O volante.
Quando mexer: na criação. Depois de publicada, não dá pra trocar o objetivo, tem que criar outra.
Um teto total que a campanha nunca ultrapassa, independente do orçamento diário. Tipo um freio de emergência.
Quando mexer: quando quer dormir tranquilo sabendo que aquela campanha não vai passar de X no total.

Detalhes da campanha: tipo de compra (Leilão), objetivo (Vendas) e o limite de gastos opcional.
A Meta foi colocando "Advantage+" em tudo. No nível da campanha você vê duas:
A campanha automatizada da Meta: ela assume boa parte das decisões de público, posicionamento e otimização. Você dá menos cliques, a IA faz mais.
Quando usar: contas com bom histórico de vendas e trackeamento redondo, ela costuma ir muito bem. Pra começar do zero, às vezes a campanha manual dá mais controle pra você aprender e testar.
Mostra automaticamente os produtos do seu catálogo pra cada pessoa, no formato que mais engaja.
Quando usar: e-commerce com catálogo de produtos. Pra quem vende serviço, pode pular.

Catálogo Advantage+: só faz sentido se você tem catálogo. Serviço não usa.
O coração da campanha
Aqui mora a decisão que mais confunde gente, e que você vai sair dominando. A Meta te deixa colocar o orçamento em dois lugares, e cada um serve pra uma coisa.

A escolha: "Orçamento da campanha" (a Meta distribui) ou "Orçamento do conjunto de anúncios" (você controla cada um).
Também chamado de orçamento Advantage (o antigo CBO). Você põe UM orçamento na campanha e a Meta distribui sozinha entre os conjuntos, mandando mais dinheiro pra quem está performando melhor.
Quando usar: pra ESCALAR. Já validou o que funciona e quer a Meta otimizando a distribuição. Menos trabalho, mais automação.
O antigo ABO. Você define um orçamento pra cada conjunto de anúncios na mão. Cada público recebe exatamente o que você mandou, ninguém rouba a verba do outro.
Quando usar: pra CONTROLAR e TESTAR. Quer que cada público tenha a mesma chance, sem a Meta decidir por você. Ideal no começo.
Ainda no orçamento, a Meta pergunta se é por dia ou pro período todo:
Você define quanto gastar por dia (na média). A Meta pode gastar um pouco mais num dia bom e menos num fraco, mas equilibra na semana.
Quando usar: o padrão pra campanhas que ficam rodando (perpétuas). É o que quase todo mundo usa.
Você define um valor total pro período inteiro (ex.: R$ 1.000 em 10 dias) e a Meta distribui. Só ele libera a programação por horário.
Quando usar: campanha com data pra começar e acabar, ou que só deve rodar em certos horários.
É como a Meta decide quanto pagar em cada leilão. Função por função:
A Meta gasta todo o orçamento buscando o máximo de resultados (ou o máximo de valor de compra). Sem amarras de custo.
Quando usar: começando, ou quando você ainda não tem uma meta de custo. É o ponto de partida da maioria.
Você diz quanto quer pagar por resultado (ex.: R$ 15 por lead) e a Meta tenta manter perto disso.
Quando usar: quando já conhece o seu custo-alvo e quer previsibilidade.
Você define o retorno mínimo que aceita (ex.: pra cada R$ 1, quero R$ 3 de volta).
Quando usar: e-commerce com valor de compra bem trackeado. Avançado.
Um teto de quanto a Meta pode dar de lance em cada leilão.
Quando usar: controle fino, pra quem já manja. Começando, nem encosta.
Tem ainda a Programação do orçamento: com orçamento vitalício, você liga e desliga a campanha em horários específicos. Útil pra quem só vende em certas horas (uma pizzaria não precisa anunciar às 4 da manhã).
Não tome bloqueio à toa
Essa é a parte que parece chata mas pode salvar (ou afundar) a sua conta. A Meta exige que você declare se o seu anúncio é de um tema sensível, porque a lei restringe a segmentação nesses casos (por idade, gênero, localização).

O campo: "Declarar categoria se aplicável". Fica em todas as campanhas.

As 4 categorias: financeiro, emprego, moradia e temas sociais/política.
Anúncios de cartão de crédito, financiamento de longo prazo, conta, investimento, seguro.
Ofertas de vaga, estágio, programas de certificação profissional.
Imóveis, classificados, financiamento habitacional, seguro residencial.
Anúncios sobre temas sociais (economia, direitos civis), eleições ou campanhas políticas.
A regra: se o seu anúncio se encaixa, você é OBRIGADO a declarar (não declarar pode dar rejeição e até punição na conta). Se NÃO se encaixa (o caso da maioria dos designers), deixa em branco. E não declare por declarar: marcar uma categoria sem precisar restringe a sua segmentação à toa. Na dúvida, a maioria de vocês não marca nada.
Dois detalhes pra fechar
Mais duas coisas que aparecem e deixam gente confusa:

Relatórios de segmentos de público: serve pra ver, depois, qual fatia do público (clientes, engajados) trouxe resultado.
Relatórios de segmentos de público: não muda quem é alcançado, é só pra RELATÓRIO. Você marca alguns públicos seus (clientes, engajados) e depois consegue ver, no resultado, quanto cada fatia rendeu. Bom pra entender de onde veio a venda, principalmente nas campanhas Advantage+.
Pontuação da campanha: aquela notinha (tipo 100) que a Meta te dá dizendo se você seguiu as "configurações recomendadas". É um guia, não uma nota de prova. Não se obceque por chegar a 100: às vezes a configuração que VOCÊ quer (pra testar ou controlar) baixa a nota e tá tudo bem. A Meta recomenda o que é bom pra ela também.
Pra você que tá começando
Conta nova, primeira campanha. Pra não travar na decisão, esse é o caminho que eu mandaria você seguir:
Objetivo: Cadastros (Leads). É o mais direto pra quem vende serviço e quer conversar pra fechar. Se você já tem site e trackeamento bom, pode ir de Vendas.
Orçamento: no CONJUNTO (controle), não na campanha. No começo você quer testar públicos com a mesma chance, não deixar a Meta decidir. Quando achar o vencedor, aí migra pra orçamento de campanha e escala.
Tipo de compra: Leilão. Estratégia de lances: maior volume. Categorias especiais: provavelmente nenhuma.
E não pira tentando deixar a pontuação em 100. Publica, deixa a Meta aprender alguns dias e depois otimiza com calma.
Hora de pensar como estrategista
Pra não embolar
Perguntas de cenário. Pensa antes de clicar. ;)
1. A campanha decide o quê?
O objetivo. Campanha é o andar de cima. Público é no conjunto, criativo é no anúncio.
2. Você quer que designers te mandem mensagem pra fazer orçamento. Melhor objetivo?
Cadastros (Leads). Você quer o contato pra conversar e fechar. É o objetivo de quem vende serviço.
3. "Orçamento na campanha" serve principalmente pra:
Escalar. Orçamento na campanha = a Meta distribui. Pra testar com controle, é no conjunto.
4. Orçamento no conjunto de anúncios é sinônimo de:
Controle. Cada conjunto recebe o que você mandou. Ideal pra testar públicos sem a Meta favorecer um cedo demais.
5. Campanha de Vendas funciona mal quando falta o quê?
Trackeamento. Sem enxergar a conversão, a Meta fica cega e não otimiza pra venda. Por isso o módulo 3 é a base.
6. Designer anunciando identidade visual. Categoria de anúncio especial?
Nenhuma. Marcar por marcar só restringe sua segmentação. Categoria especial é pra crédito, emprego, moradia e política.
7. "Nunca use ___ esperando vendas."
Tráfego. Ele otimiza por clique, não por compra. Você paga por gente sem intenção de comprar.
Bora conversar
Os comentários ficam ativos quando o material está no ar, na área de membros. Aí eu respondo um por um.